domingo, 3 de abril de 2011

Como devo lidar com uma pessoa com deficiência?

  É tão natural para uma pessoa sem deficiência ficar sem saber como agir diante de uma outra com deficiência que resolvi escrever esse post para ajudar um pouco. Dessa vez não vou falar sobre arquitetura, mas darei dicas que servirão para melhorar a convivência com a diversidade.

  Ao encontrar uma pessoa com deficiência, tente não se sentir desconfortável. Antes de tudo, não se comporte como se a deficiência não existisse, mas também não a subestime. Pessoas com deficiência acabam desenvolvendo mais outras capacidades, às vezes até melhores que as suas. A exemplo dos cegos, que desenvolvem uma audição e tato incríveis.
   Antes de ajudar, pergunte se a pessoa quer sua ajuda e como você pode agir. Dirija-se diretamente a ela, e não a seu acompanhante. Olhe nos olhos e não precisa fazer cara de pena. E não se sinta rejeitado ou ofendido caso essa pessoa não queira ser ajudado. Existem algumas atividades tão costumeiras que às vezes é mais seguro se realizadas por eles mesmos, da forma a que estão acostumados. Mas se a ajuda for aceita, não se sinta constrangido em chamar mais alguém para ajudar, se isso te der mais segurança, e não tenha medo de errar. Pergunte sempre como deve ser feito.
   Se você estiver com uma criança, é normal que faça perguntas, e não brigue ou repreenda-a. Geralmente as pessoas com deficiência não se importam em responder esse tipo de pergunta, especialmente vindas de uma criança.
  Tratando especialmente de pessoas cegas ou com deficiência visual, caso a pessoa aparente estar com dificuldades, faça ela perceber que você está falando com ela, se apresente e ofereça ajuda. Caso a ajuda seja aceita, ofereça seu ombro ou cotovelo, de acordo com a preferência dela; dessa forma a pessoa poderá sentir seu movimentos corporais e o acompanhar na caminhada. Jamais pegue seu braço na tentativa de conduzí-la. É legal que você informe sobre obstáculos antecipadamente, como a presença de degraus, buracos, etc. Caso a pessoa cega queira sentar, coloque a mão dela onde deve sentar e deixe que ela sente sozinha, sem forçá-la. E caso a ajuda seja apenas explicar um caminho, seja o mais claro possível em relação 
às direções (direita, esquerda, em frente, etc) e, se você tiver facilidade com distâncias, explique em metros (estará em frente a 10m, por exemplo). Tome cuidado para não falar em tom de voz mais alto, afinal a pessoa é cega, e não surda. Não use gestos como balançar a cabeça para dizer sim ou não, ou apontar para os locais, afinal, a pessoa não poderá ver o que você está fazendo. E caso ela esteja com um cão guia, por mais fofo e bonitinho que ele possa ser, não brinque nem acaricie ele. O cão guia está trabalhando e não passeando com seu dono. 
(A foto mostra um homem de paletó segurando uma guia. Ele está sendo conduzido por uma mulher de calça social preta e camisa branca, e está segurando no cotovelo dela.)
   No caso de pessoa em cadeira de rodas, antes de ficar certo tempo conversando, lembre-se que pode ser bastante desconfortável para ela ficar olhando para cima. O ideal é que você se abaixe ou sente, ficando assim na mesma altura que o cadeirante. Para as pessoas com deficiência que usem cadeira de rodas, muletas, andador, etc, esses equipamentos são como a extensão de seu corpo, portanto evite se apoiar neles. Seria como estar se apoiando na própria pessoa. 
 Caso seja necessário conduzir uma pessoa em cadeira de rodas, pergunte todas as vezes que for movimentá-la. Lembre-se da diferença de uma cadeira de rodas para um carrinho de supermercado. Se parar para conversar com uma terceira pessoa, lembre-se de virar a cadeira para que todos participem da conversa. E se no caminho aparecerem desníveis como degraus ou calçadas, incline a cadeira para trás elevando as rodinhas da frente, para apoiá-las primeiro. Mas se o desnível for uma descida, é muito mais seguro fazer de ré, apoiando bem a cadeira para não cair de vez.
(A foto mostra uma mulher em cadeira de rodas sendo conduzida por outra mulher em uma feira. O piso é irregular e elas estão passando por um buraco.)
   Algumas pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades na fala e fazer alguns tipos de careta ao falar, como movimentos involuntários. Não fique constrangido e converse naturalmente. Se não entender o que a pessoa falou, peça para repetir. Normalmente estas pessoas não se importam em fazê-lo, e isso mostra que você está interessado em entendê-lo.
   Não precisa ficar constrangido em utilizar palavras como ver ou enxergar para um cego, andar ou correr para uma pessoa com deficiência física. Elas mesmas costumam usar expressões desse tipo.
   Ao lidar com pessoas surdas, antes de tudo não a chame de surdo-mudo. A maioria delas não fala porque é surda. Alguns são oralizados (conseguem falar mesmo sem escutar), outros fazem leitura labial e outros usam a Lingua Brasileira de Sinais (Libras). Para se comunicar com um surdo, esteja sempre de frente para ele e com sua boca sempre a mostra. Não precisa falar mais alto, mas às vezes um pouco mais devagar, para ajudar a leitura labial. Use bastante gestos e expressões corporais, pois como ele não percebe a mudança de tom de voz, isso ajuda a entender a sua intenção na frase. Caso a pessoa surda não entenda você, ela irá se expressar de alguma forma e certamente você vai entender. 
(A foto mostra um homem e uma mulher se comunicando através de lingua de sinais)
   Espero que depois de ler essa postagem você possa se sentir mais a vontade quando passar por alguma dessas situações, e assim tenha mais vontade de ajudar as pessoas com deficiência que cruzarem seu caminho...
   
   
   

2 comentários:

Carol Fomin disse...

Parabens pelo post!!! Adorei que vc descreve as fotos!!

Fernanda Bérgamo disse...

Bárbara, parabéns pelo texto bem escrito, utilíssimo e sensível. Estarei sempre por aqui, em seu espaço virtual. Beijo.